sexta-feira, 18 de setembro de 2015

brasil

Brasil (pronuncia-se localmente AFI[bɾaˈziw][nota 2] ), oficialmente República Federativa do Brasil (),[12] é o maior país da América do Sule da região da América Latina, sendo o quinto maior do mundo em área territorial(equivalente a 47% do território sul-americano)[2] e população (com mais de 200 milhões de habitantes).[3] É o único país na América onde se fala majoritariamente a língua portuguesa e o maior país lusófono do planeta,[13]além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas, em decorrência da forte imigração oriunda de variados cantos do mundo.
Delimitado pelo oceano Atlântico a leste, o Brasil tem um litoral de 7 491 km.[13]É limitado a norte pela VenezuelaGuianaSuriname e pelo departamento ultramarino francês da Guiana Francesa; a noroeste pela Colômbia; a oeste pelaBolívia e Peru; a sudoeste pela Argentina e Paraguai e ao sul pelo Uruguai. Vários arquipélagos formam parte do território brasileiro, como o Atol das Rocas, o Arquipélago de São Pedro e São PauloFernando de Noronha (o único destes habitado) e Trindade e Martim Vaz. O país faz fronteira com todos os outros países sul-americanos, exceto Chile e Equador.[13] A sua Constituição atual, formulada em 1988, define o Brasil como uma república federativapresidencialista,[12] formada pela união do Distrito Federal, dos 26 estados e dos5 570 municípios.[12] [14] [nota 3]
O território que atualmente forma o Brasil foi encontrado pelos europeus em 1500, durante uma expedição portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral. A região, que até então era habitada por indígenas ameríndios divididos entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes, torna-se uma colônia doImpério Português. O vínculo colonial foi rompido, de fato, quando em 1808 a capital do reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadirem o território português.[16] Em 1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com Portugal.Dom Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a independência política do país em 1822. Inicialmente independente como um império, período no qual foi umamonarquia constitucional parlamentarista, o Brasil tornou-se uma república em 1889, em razão de um golpe militar chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca(o primeiro presidente), embora uma legislatura bicameral, agora chamada deCongresso Nacional, já existisse desde a ratificação da primeira Constituição, em 1824.[16] Desde o início do período republicano, a governança democrática foi interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder em 1985, com o fim do último regime militar.[17]
economia brasileira é a maior da América Latina e do Hemisfério Sul, a sétima maior do mundo, tanto nominalmente quanto por paridade do poder de compra(PPC).[5] Reformas econômicas deram ao país novo reconhecimento internacional, seja em âmbito regional ou global.[18] [19] O país é membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), G20BRICSComunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União LatinaOrganização dos Estados Americanos (OEA), Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI),Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da União de Nações Sul-Americanas(Unasul), além de ser um dos países BRIC. O Brasil também é o lar de uma diversidade de animais selvagensecossistemas e de vastos recursos naturaisem uma grande variedade de habitats protegidos.[13]

Etimologia

As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta (uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios. Na época colonial, cronistas da importância deJoão de Barros, frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gândavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada natinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa).[20] Antes de ficar com a designação atual, "Brasil", as novas terras descobertas foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera CruzTerra de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália, Império do Brasil e Estados Unidos do Brasil.[21] Os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 1706[22] que se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.[23]

História


Estima-se que os primeiros seres humanos tenham ocupado a região que compreende o território brasileiro atual há cerca de 60 mil anos.[24] Quando encontrado pelos portugueses em 1500, estima-se que a costa oriental da América do Sul era habitada[25] por cerca de dois milhões de nativos, do norte ao sul.[26]
população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guaranimacro-jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos em guaranistupiniquins e tupinambás, entre inúmeros outros.[27] Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje,[27] sendo "a primeira raça indígena que teve contato com o colonizador e decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava".[28]
As fronteiras entre estes grupos e seus subgrupos, antes da chegada dos europeus, eram demarcadas pelas guerras entre os mesmos, oriundas das diferenças de cultura, língua e costumes.[29] Guerras estas que também envolviam ações bélicas em larga escala, em terra e na água, com a antropofagia ritual sobre os prisioneiros de guerra.[30]
Embora a hereditariedade tivesse algum peso, a liderança era um status mais conquistado ao longo do tempo, do que atribuído em cerimônias e convenções sucessórias.[31] A escravidão entre os índios tinha um significado diferente da escravidão europeia, uma vez que se originava de uma organização socioeconômica diversa, na qual as assimetrias eram traduzidas em relações de parentesco.[32]

Colonização portuguesa

Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto SeguroBahia, em 1500. Óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva (1922).
A terra agora chamada Brasil (nome cuja origem é contestada) foi reivindicada por Portugal em abril de 1500, com a chegada da frota portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral.[33]
colonização foi efetivamente iniciada em 1534, quando D. João III dividiu o território em doze capitanias hereditárias,[34] [35] mas esse arranjo se mostrou problemático, e em 1549 o rei atribuiu umgovernador-geral para administrar toda a colônia.[36] [37] Os portugueses assimilaram algumas das tribos nativas,[38] enquanto outras foram escravizadas ou exterminadas por doenças europeias para as quais não tinham imunidade,[39] [40] ou em longas guerras travadas nos dois primeiros séculos de colonização, entre os grupos indígenas rivais e seus aliados europeus.[41] [42] [43] Em meados do século XVI, quando o açúcar de cana tornou-se o mais importante produto de exportação do Brasil,[44] os portugueses iniciaram a importação de escravos africanos, comprados nos mercados de escravos da África ocidental.[45] [46] Assim, estes começaram a ser trazidos ao Brasil, inicialmente para lidar com a crescente demanda internacional do produto, naquele que foi chamado ciclo da cana-de-açúcar.[47] [48]
Quadro que retrata a prisão de Tiradentes, único condenado à morte pelo envolvimento naquele que é hoje o mais conhecidomovimento por independênciaocorrido no Brasil Colonial.
Ignorando o tratado de Tordesilhas de 1494, os portugueses, através de expedições conhecidas comobandeiras, paulatinamente avançaram sua fronteira colonial na América do Sul para onde se situa a maior parte das atuais fronteiras brasileiras,[49] [50] tendo passado os séculos XVI e XVII defendendo tais conquistas contra potências rivais europeias.[51] Desse período destacam-se os conflitos que rechaçaram as incursões coloniais francesas (no Rio de Janeiro em 1567 e no Maranhão em 1615) e expulsaram os holandeses do nordeste, após o fim da União Ibérica.[52] Sendo o conflito com os holandeses, parte integrante da Guerra Luso-Holandesa.[51]
Ao final do século XVII, devido à concorrência colonial as exportações de açúcar brasileiro começaram a declinar, mas a descoberta de ouro pelos bandeirantes na década de 1690, abriu um novo ciclo para a economia extrativista da colônia, promovendo uma febre do ouro no Brasil, que atraiu milhares de novos colonos, vindos não só de Portugal, mas também de outras colônias portuguesas ao redor do mundo, o que por sua vez acabou gerando conflitos (como a Guerra dos Emboabas), entre os antigos colonos e os recém-chegados.[53]
Para garantir a manutenção da ordem colonial interna, além da defesa do monopólio de exploração econômica do Brasil, o foco da administração colonial portuguesa se concentrou tanto em manter sob controle e erradicar as principais formas de rebelião e resistência dos escravos (a exemplo do Quilombo dos Palmares),[54] como em reprimir todo movimento por autonomia ou independência política (como a Inconfidência Mineira).[55] [56]

Reino unido com Portugal

No final de 1807, forças espanholas e napoleônicas ameaçaram a segurança de Portugal Continental, fazendo com que o Príncipe Regente D. João VI, em nome da rainha Maria Itransferisse a corte real deLisboa para o Brasil.[57] O estabelecimento da corte portuguesa trouxe o surgimento de algumas das primeiras instituições brasileiras, como bolsas de valores locais[58] e um banco nacional, e acabou com o monopólio comercial que Portugal mantinha sobre o Brasil, liberando as trocas comerciais com outras nações. Em 1809, em retaliação por ter sido forçado a um "autoexílio" no Brasil, o príncipe regente ordenou a conquista portuguesa da Guiana Francesa.[59]
Com o fim da Guerra Peninsular em 1814, os tribunais europeus exigiram que a rainha Maria I e o príncipe regente D. João regressassem a Portugal, já que consideravam impróprio que representantes de uma antiga monarquia europeia residissem em uma colônia. Em 1815, para justificar a sua permanência no Brasil, onde a corte real tinha prosperado nos últimos seis anos, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves foi criado, estabelecendo, assim, um Estado monárquico transatlântico e pluricontinental.[60] No entanto, isso não foi suficiente para acalmar a demanda portuguesa pelo retorno da corte para Lisboa, como a revolução liberal do Porto exigiria em 1820, e nem o desejo de independência e pelo estabelecimento de uma república por grupos de brasileiros, como a Revolução Pernambucana de 1817 mostrou.[60] Em 1821, como uma exigência de revolucionários que haviam tomado a cidade do Porto,[61] D. João VI foi incapaz de resistir por mais tempo e partiu para Lisboa, onde foi obrigado a fazer um juramento à nova constituição, deixando seu filho, o príncipe Pedro de Alcântara, como Regente do Reino do Brasil.[62]

Independência e Império

Declaração da Independência do Brasil pelo imperador Pedro I em 7 de setembro de 1822. Obra de Pedro Américo (1888).
Em decorrência desses acontecimentos, a coroa portuguesa tentou, mais uma vez, transformar o Brasil em uma colônia, privando o país do estatuto de Reino, adquirido em 1815.[63] Os brasileiros se recusaram a ceder e D. Pedro ficou com eles, declarando a independência do paísdo Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 7 de setembro de 1822.[64] Em 12 de outubro de 1822, Pedro foi declarado o primeiro imperador do Brasil e coroado D. Pedro I em 1 de dezembro do mesmo ano, fundando, assim, o Império do Brasil.[65]
guerra da independência do Brasil iniciada ao longo deste processo, propagou-se pelas regiões norte, nordeste e ao sul na província de Cisplatina.[66] Os últimos soldados portugueses renderam-se em 8 de março de 1824,[67] sendo a independência reconhecida por Portugal em 29 de agosto de 1825, no tratado do Rio de Janeiro.[68]
primeira constituição brasileira foi promulgada em 25 de março de 1824, após a sua aceitação pelos conselhos municipais de todo o país.[69] [70] Exaurido no Brasil por anos de exercício do poder moderador, período no qual também enfrentou o movimento separatista conhecido como Confederação do Equador, e inconformado com o rumo que os absolutistas portugueses haviam imprimido à sucessão de D. João VI, D. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho de cinco anos e herdeiro (que viria a ser o imperador Dom Pedro II), e retornou à Europa a fim de recuperar a coroa para sua filha.[71] Como o novo imperador não poderia, até atingir a maturidade, exercer suas prerrogativas constitucionais, a regência foi adotada.[72]
Dom Pedro II, imperador do Brasil entre 1840 e 1889. Pintura de Delfim da Câmara (1875).
Durante o período regencial ocorreu uma série de rebeliões localizadas, como a Cabanagem, a Revolta dos Malês, a Balaiada, a Sabinada e a Revolução Farroupilha, decorrentes do descontentamento das províncias com o poder central e das tensões sociais latentes de uma nação escravocrata e recém-independente.[73] Em meio a esta agitação, D. Pedro II foi declarado imperador prematuramente em 1840. Porém, somente ao final daquela década, as últimas revoltas do período regencial, e outras posteriores, como a Revolta Praieira, foram debeladas e o país pôde voltar a uma relativa estabilidade política interna.[74]
Internacionalmente, após a perda de Cisplatina, que se tornou o Uruguai, o Brasil saiu vitorioso de três guerras no Cone Sul durante o reinado de Dom Pedro II: a guerra do Prata, a guerra do Uruguai e, a guerra do Paraguai naquele que, além de ter sido um dos maiores conflitos da história (o maior da América do Sul), foi o que exigiu o maior esforço de guerra na história do país.[75]
Concernente à questão da escravidão no país, somente após anos de pressão comercial e marítima exercida pelo Reino Unido, em decorrência da lei "Bill Aberdeen", o Brasil concordou em abandonar o tráfico internacional de escravos, em 1850. Apesar disso e da repercussão internacional, dos efeitos políticos e econômicos decorrentes da derrota dos Estados Confederados na Guerra Civil Americana durante a década de 1860, foi apenas em 1888, após um longo processo de mobilização interna e debate para a desmontagem moral e legal da escravidão, que esta foi formalmente abolida no Brasil.[76] [77]
Em 15 de novembro de 1889, desgastada por anos de estagnação econômica, em atrito com a oficialidade do Exército e também com as elites rurais e financeiras (embora por razões diferentes), a monarquia foi derrubada por um golpe militar.[78] [79]

República velha e era Vargas

Proclamação da República, óleo sobre tela de 1893, porBenedito Calixto.
Com o início do governo republicano, sendo pouco mais do que uma ditadura militar, a então novaconstituição de 1891[80] previa eleições diretas apenas para 1894 e, embora abolisse a restrição do período monárquico que estabelecia direito ao voto apenas aos que tivessem determinado nível de renda, mantinha o exercício do voto em caráter aberto (não secreto) e, entre outras restrições, circunscrito apenas aos homens, alfabetizados, numa época em que a população do país era majoritariamente analfabeta.[81]
Se em relação à política externa o país neste primeiro período republicano manteve um relativo equilíbrio que só foi rompido pela questão acriana[82] (1899-1902) e o envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial (1914-1918);[83] [84] [85] internamente, a partir da crise do encilhamento[86] [87] [88] e da1ª Revolta da Armada em 1891,[89] iniciou-se um ciclo prolongado de instabilidade financeirapolítica e social que se estenderia até a década de 1920, mantendo o país assolado por diversas rebeliões, tanto civis[90] [91] [92] como militares,[93] [94] [95] que pouco a pouco minaram o regime de tal forma que em 1930 foi possível ao candidato presidencial derrotado nas eleições daquele ano, Getúlio Vargas, na esteira do assassinato de seu companheiro de chapa, liderar a Revolução de 1930, com o apoio dos militares, e assumir a presidência da república.[96]
Diretamente, ou através de figuras por ele apoiadas, comoGetúlio Vargas (no centro de uniforme militar, mas sem chapéu), o Exército Brasileiroesteve à frente do poder político na metade dos primeiros cem anos do período republicano brasileiro.
Vargas e os militares, que deveriam assumir a presidência apenas temporariamente a fim de implementar reformas democráticas, fecharam o congresso nacional brasileiro e seguiram governando sob estado de emergência, tendo, à exceção de Minas Gerais,[97] feito a intervenção federal de todos os estados, substituindo os governadores dos estados por interventores federais, que eram seus apoiadores políticos.[98] Sob a justificativa de cobrar a implementação das promessas de reformas democráticas em uma nova constituição,[99] em 1932 a oligarquia paulista tentou recuperar o poderatravés de uma revolução armada,[100] e em 1935 os comunistas se rebelaram,[101] tendo ambos os movimentos sido derrotados. No entanto, a ameaça comunista serviu de pretexto tanto para impedir as eleições previamente estipuladas, como para que Vargas e os militares lançassem mão de outro golpe de Estado em 1937 estabelecendo uma ditadura de fato.[102] Em maio de 1938, houve ainda uma outra tentativa fracassada de tomada de poder, desta vez por parte dos fascistas locais.[103]
O Brasil manteve-se neutro durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) até osantecedentes que levaram o país a se postar ao lado dos Estados Unidos durante a Conferência Interamericana de 1942, realizada no Rio de Janeiro em janeiro, rompendo relações diplomáticas com as potências do Eixo.[104] [105] Em represália, as marinhas de guerra da Alemanha nazista e Itália fascista estenderam sua campanha de guerra submarina ao Brasil, e após meses de contínuo afundamento de navios mercantes brasileiros e forte pressão popular, o governo declarou-lhes guerra em agosto daquele ano,[106] [107] tendo somente em 1944 enviado uma força expedicionária para combater na Europa.[108] [109] Com a vitória aliada em 1945 e o fim dos regimes nazifascistas na Europa, a posição de Vargas tornou-se insustentável e ele foi rapidamente deposto por outro golpe militar.[110] A democracia foi "restabelecida"[111] e o general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente, tomando posse em 1946.[112] Tendo voltado ao poder democraticamente eleito no fim de 1950, Vargas suicidou-se em agosto de 1954, em meio a uma crise política.[113] [114]

Regime militar e era contemporânea

Prédios dos atuais ministérios em 1959, durante aconstrução da nova capital federal.
Vários governos provisórios breves sucederam-se após o suicídio de Vargas.[115] Em 1955, através de eleições diretas, Juscelino Kubitschek se tornou presidente e assumiu uma postura conciliadora em relação à oposição política, o que lhe permitiu governar sem grandes crises.[116] A economia e o setor industrial cresceram consideravelmente,[117] mas sua maior conquista foi a construção da nova capital,Brasília, inaugurada em 1960.[118] Seu sucessor, Jânio Quadros, eleito em 1960, renunciou em 1961 menos de sete meses após assumir o cargo.[119] Seu vice-presidente, João Goulart, assumiu a presidência, mas suscitou forte oposição política[120] e foi deposto pelo Golpe de 1964 que resultou em um regime militar.[121]
O novo regime se destinava a ser transitório,[122] mas, cada vez mais fechado em si mesmo, tornou-se uma ditadura plena com a promulgação do Ato Institucional Nº 5 em 1968.[123] A censura e a repressãoem todas as suas formas (incluindo a tortura), não se restringiu aos políticos oposicionistas e militantes de esquerda. A sua ação alcançou a todos aqueles a quem o regime encarava como opositores, ou a eles ligados, o que abrangeu praticamente a todos os setores sociais; entre eles artistasestudantesjornalistasclérigossindicalistasprofessoresintelectuais, além dos próprios militares epoliciais que demonstrassem não estar alinhados com o regime,[124] [125] e familiares de presos políticos.[126] [127] Tendo também participado na perseguição internacional a dissidentes sul-americanos em geral, através da Operação Condor.[128] A exemplo de outrosregimes ditatoriais na história, o regime militar brasileiro atingiu o auge de sua popularidade num momento de alto crescimento econômico, que ficou conhecido como "milagre econômico", momento este que coincidiu com o auge da repressão.[129]
Tanques em frente ao Congresso Nacional patrulham a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após ogolpe de 1964, que instaurou um período de 21 anos de ditadura militar.
Lentamente, no entanto, o desgaste natural de anos de poder ditatorial, que não abrandou a repressão mesmo após a derrota da guerrilha de esquerda,[130] [131] somado à inabilidade em lidar com as crises econômicas do período, o crescimento da oposição política nas eleições regionais[132] e ainda as pressões populares, tornaram inevitável a abertura política do regime que, por seu lado, foi conduzida pelos generais Geisel e Golbery.[133] Com a promulgação da Lei da Anistia em 1979, o Brasil lentamente iniciou a volta à democracia, que se completaria na década de 1980.[134]
Após o movimento popular das Diretas Já, os civis voltaram ao poder em 1985 inaugurando a chamada Nova República, com a eleição do oposicionista Tancredo Neves, que, entretanto, não assumiu o cargo devido à morte decorrente de uma grave doença.[135] Seu vice, José Sarney, assumiu a presidência,[136] tornando-se impopular ao longo de seu mandato por conta da piora da crise econômica e hiperinflaçãoherdadas do regime militar, mesmo com uma breve euforia inicial do seu Plano Cruzado.[137] Sarney deu continuidade ao programa de governo de Tancredo Neves instaurando, em 1987, uma Assembleia Nacional Constituinte,[138] que promulgou a atual Constituição brasileira.[139]
No entanto, o fracasso do governo Sarney na área econômica e o consequente desgaste político permitiu a eleição, em 1989, do quase desconhecido Fernando Collor, que posteriormente sofreu processo de impeachment pelo Congresso Nacional brasileiro em 1992, com seu vice-presidente Itamar Franco, assumindo o cargo em decorrência. Do novo ministério nomeado por Itamar, com integrantes de praticamente todos os partidos que aprovaram o impeachment de Collor,[140] destacou-se Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Fazenda e coordenador do bem-sucedido Plano Real,[141] [nota 4]que trouxe estabilidade para a economia brasileira, após décadas de inúmeros planos econômicos de governos anteriores, que haviam fracassado na tentativa de controlar a hiperinflação.[142]
Em consequência, Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente em 1994 e novamente em 1998.[143] A transição pacífica de poder para seu principal opositor, Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002 e reeleito em 2006, mostrou que o Brasil finalmente conseguiu alcançar a sua muito procurada estabilidade política.[144] Em 2010, Dilma Rousseff tornou-se a primeira mulher eleita presidente, e a segunda pessoa a chegar à presidência sem nunca antes ter disputado uma eleição. Com sua eleição, Lula se tornou o primeiro presidente a eleger seu sucessor na plenitude democrática.[145]
Em junho de 2013, irromperam no país inúmeras manifestações populares, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para contestar os aumentos nas tarifas de transporte público e a truculência das policiais militares estaduais, além de outras reivindicações.[146]

Geografia

Mapa topográfico do Brasil.
território brasileiro é cortado por dois círculos imaginários: a Linha do Equador, que passa pelaembocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que corta o município de São Paulo.[147] O país ocupa uma vasta área ao longo da costa leste da América do Sul e inclui grande parte do interior do continente,[148] compartilhando fronteiras terrestres com Uruguai ao sul; Argentina e Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a noroeste e VenezuelaSurinameGuiana e com odepartamento ultramarino francês da Guiana Francesa ao norte. O país compartilha uma fronteira comum com todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile. Ele também engloba uma série de arquipélagos oceânicos, como Fernando de NoronhaAtol das RocasSão Pedro e São PauloTrindade e Martim Vaz.[13] O seu tamanho, relevo, clima e recursos naturais fazem do Brasil um país geograficamente diverso.[148]
O país é o quinto maior do mundo em área territorial, depois de RússiaCanadáChina e Estados Unidos, e o terceiro maior da América, com uma área total de 8 515 767,049 quilômetros quadrados (km²),[2] incluindo 55 455 km² de água.[13] Seu território abrange quatro fusos horários, a partir de UTC−5 no Acre e sudoeste do AmazonasUTC−4 em Mato GrossoMato Grosso do SulRondôniaRoraimae maior parte do Amazonas; UTC−3 (horário oficial do Brasil) em GoiásDistrito FederalParáAmapá e todos os estados das regiões NordesteSudeste e Sul e UTC−2 nas ilhas do Atlântico.[10]
A topografia brasileira também é diversificada e inclui morros, montanhas, planíciesplanaltos ecerrados. Grande parte do terreno se situa entre duzentos e oitocentos metros de altitude.[149] A área principal de terras altas ocupa mais da metade sul do país. As partes noroeste do planalto são compostas por terreno, amplo rolamento quebrado por baixo e morros arredondados. A seção sudeste é mais robusta, com uma massa complexa de cordilheiras e serras atingindo altitudes de até 1 200 metros. Esses intervalos incluem as serras do Espinhaçoda Mantiqueira e do Mar.[149] No norte, o planalto das Guianas constitui um fosso de drenagem principal, separando os rios que correm para o sul da Bacia Amazônica dos que desaguam no sistema do rio Orinoco, na Venezuela, ao norte. O ponto mais alto no Brasil é o Pico da Neblina, na Serra do Imeri (fronteira com a Venezuela) com 2 994 metros, e o menor é o Oceano Atlântico.[13]
O Brasil tem um sistema denso e complexo de rios, um dos mais extensos do mundo, com oito grandes bacias hidrográficas, que drenam para o Atlântico.[150] Os rios mais importantes são o Amazonas (o maior rio do mundo tanto em comprimento – 6 937,08 quilômetros de extensão – como em termos de volume de água – vazão de 12,5 bilhões de litros por minuto), o Paraná e seu maior afluente, o Iguaçu (que inclui as cataratas do Iguaçu), o NegroSão FranciscoXinguMadeira e Tapajós.[150]
Panorama da Chapada Diamantina a partir do Morro do Pai Inácio, no Parque Nacional da Chapada DiamantinaBahia.

Meio ambiente e biodiversidade

Floresta Amazônica, a mais rica e biodiversa floresta tropical do mundo.[151]
Tucano-toco, ave emblemática do Brasil, país com uma das populações de aves e anfíbios mais diversas do planeta.
A grande extensão territorial do Brasil abrange diferentes ecossistemas, como aFloresta Amazônica, reconhecida como tendo a maior diversidade biológica do mundo,[151] a mata Atlântica e o cerrado, que sustentam também grande biodiversidade,[152] além da caatinga,[153] fazendo do Brasil um país megadiverso. No sul, a floresta de araucárias cresce sob condições de clima temperado.[152]
A rica vida selvagem do Brasil reflete a variedade de habitats naturais. Oscientistas estimam que o número total de espécies vegetais e animais no Brasil seja de aproximadamente de quatro milhões.[152] Grandes mamíferos incluempumasonçasjaguatiricas, raros cachorros-vinagreraposasqueixadasantas,tamanduáspreguiçasgambás e tatusVeados são abundantes no sul e muitas espécies de platyrrhini são encontradas nas florestas tropicais do norte.[152] [154] A preocupação com o meio ambiente tem crescido em resposta ao interesse mundial nas questões ambientais.[155]
O patrimônio natural do Brasil está seriamente ameaçado pela pecuária e agricultura, exploração madeireira, mineração, reassentamento, desmatamento, extração de petróleo e gás, a sobrepesca, comércio de espécies selvagens, barragens e infraestrutura,contaminação da água, fogo, espécies invasoras e pelos efeitos do aquecimento global.[151] Em muitas áreas do país, o ambiente natural está ameaçado pelo desenvolvimento.[156] A construção de estradas em áreas de floresta, tais como a BR-230 e a BR-163, abriu áreas anteriormente remotas para a agricultura e para o comércio; barragens inundaram vales e habitats selvagens; e minas criaram cicatrizes na terra e poluíram a paisagem.[155] [157]

Clima

O clima do Brasil dispõe de uma ampla variedade de condições de tempo em uma grande área e topografia variada, mas a maior parte do país é tropical.[13]Segundo o sistema Köppen, o Brasil acolhe seis principais subtipos climáticos:equatorialtropicalsemiáridotropical de altitudetemperado e subtropical. As diferentes condições climáticas produzem ambientes que variam de florestas equatoriais no Norte e regiões semiáridas no Nordeste, para florestas temperadas de coníferas no Sul e savanas tropicais no Brasil central.[158] Muitas regiões têm microclimas totalmente diferentes.[159] [160]
O clima equatorial caracteriza grande parte do norte do Brasil. Não existe umaestação seca real, mas existem algumas variações no período do ano em que mais chove.[158] Temperaturas médias de 25 °C,[160] com mais variação de temperatura significativa entre a noite e o dia do que entre as estações. As chuvas no Brasil central são mais sazonais, característico de um clima de savana.[159] Esta região é tão extensa como a bacia amazônica, mas tem um clima muito diferente, já que fica mais ao sul, em uma altitude inferior.[158] No interior do nordeste, a precipitação sazonal é ainda mais extrema. A região de clima semiárido geralmente recebe menos de 800 milímetros de chuva,[161] a maioria do que geralmente cai em um período de três a cinco meses no ano,[153] e por vezes menos do que isso, resultando em longos períodos de seca.[159] A "Grande Seca" de 1877–78 no Brasil, a mais grave já registrada no país,[162] causou cerca de meio milhão de mortes.[163] Outra em 1915 foi devastadora também.[164]
No sul da Bahia, a distribuição de chuva muda, com períodos de chuva ao longo de todo o ano.[158] O Sul e parte do Sudeste possuem condições de clima temperado, com invernos frescos e temperatura média anual não superior a 18 °C;[160] geadas de inverno são bastante comuns, com ocasional queda de neve nas áreas mais elevadas.[158] [159]

Demografia

Mapa da densidade populacional do Brasil (2007).
população do Brasil, conforme registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, foi de 190 755 799 habitantes[165] (22,43 habitantes por quilômetro quadrado),[166] com uma proporção de homens e mulheres de 0,96:1[167] e 84,36% da população definida comourbana.[4] A população está fortemente concentrada nas regiões Sudeste (80,3 milhões de habitantes), Nordeste (53,1 milhões de habitantes) e Sul (27,4 milhões de habitantes), enquanto as duas regiões mais extensas, o Centro-Oeste e o Norte, que formam 64,12% do território brasileiro, contam com um total de apenas trinta milhões de habitantes.[4]
A população brasileira aumentou significativamente entre 1940 e 1970, devido a um declínio na taxa de mortalidade, embora a taxa de natalidade também tenha passado por um ligeiro declínio no período. Na década de 1940 a taxa de crescimento anual da população foi de 2,4%, subindo para 3% em 1950 e permanecendo em 2,9% em 1960, com a expectativa de vida subindo de 44 para 54 anos[168] e para 73,9 anos em 2013.[169] A taxa de aumento populacional tem vindo a diminuir desde 1960, de 3,04% ao ano entre 1950–1960 para 1,05% em 2008 e deverá cair para um valor negativo, de -0,29%, em 2050,[170]completando assim a transição demográfica.[171]
Os maiores aglomerados urbanos do Brasil são as áreas metropolitanas de São Paulo (com 21 090 792 habitantes), Rio de Janeiro(12 280 702) e Belo Horizonte (5 829 923), todas na região Sudeste.[3] Quase todas as capitais são as maiores cidades de seus estados, com exceção de Vitória, capital do Espírito Santo, e Florianópolis, a capital de Santa Catarina.[172] Existem também regiões metropolitanas não capitais, como as de CampinasBaixada Santista e Vale do Paraíba (todas no estado de São Paulo); Vale do Aço(Minas Gerais); Serra Gaúcha (Rio Grande do Sul) e Vale do Itajaí (Santa Catarina).[3]